Portanto, a tarefa primitiva do homem consiste em descobrir os nomes verdadeiros da mulher, não em usar indevidamente esse conhecimento para ganhar controle sobre ela, mas, sim, para captar e compreender a substância numinosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste.
Também para ficar com ela. Para entoar seus nomes para ela. Com isso os
olhos dela brilharão. E os dele também.
No entanto, para que não descansemos antes da hora, há ainda um outro
aspecto da identificação da dualidade, um aspecto ainda mais apavorante, porém
essencial a todos os amantes. Enquanto um lado da natureza dual da mulher pode ser
chamado de vida, a irmã "gêmea" da vida é uma força chamada morte. A força
chamada morte é uma das bifurcações magnéticas do lado selvagem. Se aprendermos
a identificar as dualidades, acabaremos dando de cara com a caveira descarnada da
natureza da morte. Dizem que só os heróis conseguem suportar a visão. O homem
selvagem sem dúvida consegue. A mulher selvagem, sem a menor sombra de dúvida,
consegue. Na realidade, eles são inteiramente transformados pela visão.

MULHERES
ResponderExcluirQUE CORREM COM OS LOBOS
Mitos e histórias
do arquétipo da mulher selvagem
Tradução de
WALDÉA BARCELLOS
ROCCO
Rio de Janeiro
1999
Título Original
WOMEN WHO RUN WITH THE WOLVES
Copyright 1992 by Clarissa Pínkola Estés, Ph.D.
Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos
ResponderExcluirpor nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo
de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos
sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e
de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem
decididamente quatro patas.
CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming